[CRÍTICA]: THE VACCINES | COME OF AGE



Conseguirão os The Vaccines superar o hype do primeiro álbum?

Os The Vaccines em 2012 estão convictos que já não querem ser uma banda indie, mas sim uma banda rock. E em termos sonoros, podemos dizer que até foram bem sucedidos nessa missão. Nesta altura, arriscaria mesmo dizer que os The Vaccines estão para os anos 2010 como os Libertines estiveram para os 2000.

Mas antes de falarmos do presente, vamos recordar o passado. Os The Vaccines são um dos melhores produtos rock alternativo — ou indie, como preferirem — do ano passado.

Influenciados por bandas como os Ramones, Stone Roses ou Artic Monkeys, a banda liderada por Justin Young apresentou-se ao mundo com um tema que falava do sexo pós-termino de uma relação e as suas vantagens. Em "Post Break Up Sex", era já bem visível a arquitetura por detrás das canções dos The Vaccines. Melodias pop, progressões de acordes bem comuns e uma produção propositadamente pouco polida. Descuidada não é a apresentação dos músicos deste coletivo. Nas revistas, as muitas páginas preenchidas com os The Vaccines podem mesmo ser confundidas com páginas de publicidade de uma Urban Outfitters.

Embora o primeiro álbum não nos tenham ainda saído da memória, a banda de Londres revela uma quase precoce vontade em mostrar o seu trabalho ao mundo da música, lançando já um segundo álbum que, apesar de tudo, em nada envergonha o primeiro. Se a pop mais badalada dava corpo às canções do primeiro álbum, agora é a vez as melodias punk e alegres ecoarem numa enérgica guerra de almofadas em cima do colchão. Abrem-se as hostes com um tema chamado "No Hope", onde quase ouvimos um John Lydon a gritar “no future for me”. Em "Teenage Icon", um Kurt Cobain pouco satisfeito por ser um estrela rock. Em "All in Vein", um John Lennon perseguido por Yoko Ono a caminho de um ensaio dos Beatles. Sim, é um álbum onde cabem todos os fantasmas do rock, e que se encontram para dançar em “Ghost Town”, uma composição algures entre o rock e o psychobilly. Quase a fechar o álbum, Justin Young revela a sua curiosidade em ser do sexo oposto, desconstruíndo assim o conceito visual da capa do disco.

Se vale a pena ouvir este álbum? Sim. Se o acho melhor que o primeiro? Diria que não. Seria difícil demais para os The Vaccines superarem-se a si mesmo. Mas que foi uma boa tentativa, isso foi.


01. No Hope
02. I Always Knew
03. Teenage Icon
04. All In Vain
05. Ghost Town
06. Aftershave Ocean
07. Weirdo
08. Bad Mood
09. Change Of Heart pt.2.
10. I Wish I Was A Girl
11. Lonely World

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Nota: 7/10
Crítica por: João Marques
Banda: The Vaccines
Álbum: Come of Age

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