Mísia | Lux | 18 Dezembro 2010



Após a sua passagem por países como Argentina, França, Canadá, Espanha, Brasil, entre outros, Lisboa foi o palco do último concerto da digressão “Ruas”, que é também o nome do último álbum de Mísia, editado em Abril de 2009.

A noite de sexta-feira, 17 de Dezembro estava de “bater o dente”, o que levou a que todos se apressassem a entrar para o interior do Lux, que apesar de não ter enchido, estava bem composto.

O concerto estava dividido em duas partes, à semelhança do que acontece com o álbum “Ruas”, “Lisboarium” tomou conta da primeira parte, onde reflecte a saudade sentida pela “sua” Lisboa durante os 5 anos em que esteve a viver em Paris. Trata-se de uma “viagem à distância” pelas ruas da capital portuguesa trazendo não só as sonoridades do fado, como também das Marchas de Lisboa, dando voz a letras de alguns dos nomes mais importantes da poesia nacional.

Passava cerca de trinta minutos da hora marcada para o início do concerto quando soa o “choro” do violino que surge por entre o público pelas mãos de Luís Cunha. Segue-se a entrada dos restantes músicos, com Sandro Costa na guitarra portuguesa, Daniel Pinto no baixo acústico, Carlos Proença na viola de fado e Enzo d’Aversa no acordeão. Mísia surge de pés descalços pelo fundo do palco começando com “Que fazes aí Lisboa”. Seguiu-se “Fado adivinha” com texto de José Saramago, e “Joana Rosa”, que a fadista caracterizou como “uma mulher de mala na mão parada no meio do mundo”, uma imagem com que Mísia se identifica, confidenciando ao público presente ao longo de todo o concerto algumas curiosidades vividas durante as suas viagens pelos quatro continentes.

Ouviu-se também “Conjugar Lisboa” e “Autopsicografia” que foi antecedida pela entrada do violinista em palco caracterizado de Fernando Pessoa, em que Mísia criticou uma certa falta de respeito pelas estátuas do poeta, dando o exemplo de turistas que se sentam ao colo da estátua utilizando esta como “wallpaper” para as suas fotografias.

O “Lisboarium” ficou concluído com “Fado de Santa Catarina”, “Rapsodia dos 3 poetas”, “Simplesmente” e “O Manto da Rainha”. Estes dois últimos fazem parte do próximo álbum, intitulado “Senhora da Noite” que será editado em meados do próximo ano, seguindo-se por fim um “best of” das Marchas de Lisboa interpretadas pela banda que acompanha Mísia, enquanto esta retira-se para trocar de roupa surgindo minutos depois enquanto a banda tocava “Lá vai Lisboa” em que a fadista acompanha cantando os versos finais de uma das mais popular músicas das marchas.

Entretanto deu-se um curto intervalo para dar início à segunda parte do concerto.
Intitulado “Turistas”, que é um reflexo das outras culturas e sonoridades que Mísia foi conhecendo ao longo do tempo em que esteve fora, tendo interpretado canções de várias nacionalidades que segundo a fadista, conseguem ter a mesma carga emocional que o fado.
Mísia entra em palco com um enorme casaco com padrão de leopardo, óculos escuros, mala de viagem e uma máquina fotográfica que não parou de disparar, como se de uma turista se tratasse.

Desta vez acompanhada com a guitarra eléctrica de Geoffrey Burton, o guitarrista que acompanha Iggy Pop na maioria dos seus concertos.

Nesta viagem de culturas, contou com passagens por Instambul (“ Biraz Kül Biraz Duman”), Nápoles (“Era De Maggio”), cantando também em inglês (“Hurt”), francês (“Pour Ne Pas Vivre Seul”), espanhol (“Como El Agua” e “Fallaste Corazon”) e até mesmo japonês (“Aishuh Hatoba”) que protagonizou o momento caricato da noite pois a cantora esqueceu-se das letras desta canção em casa, e confessou não as ter memorizado, pois não a canta regularmente. Foi socorrida por uma letra escrita à mão consoante a fonética da canção, que fez questão de mostrar ao público, alertando em tom de brincadeira “que um desastre se aproximava”, mas que interpretou lindamente.

O concerto caminhava para o seu fim e a cantora retira-se uma vez mais após uma grande aplauso por parte do público, regressando para o “encore”, uma canção da eterna Amália Rodrigues, intitulada de “Lágrima” que Mísia confidenciou ser o seu “fado fetiche” pois dedicava sempre à sua pessoa amada, dedicando desta vez ao… público, que retribuíram com rasgados sorrisos.

Uma noite fria mas que foi aquecida com a excepcional voz da fadista num ambiente bastante intimista que emocionou todos os presentes, deixando com este concerto a vontade de a poder actuar brevemente em palcos de outras dimensões em Portugal.

Alinhamento:
1ª Parte: “Lisboarium”
Que fazes aí Lisboa
Fado Adivinha
Joana Rosa
Conjugar Lisboa
Autopsicografia
Fado de Santa Catarina
Rapsodia dos 3 poetas
Simplesmente
O manto da rainha
Medley Marchas de Lisboa (instrumental)
2ª Parte: “Turistas”
Biraz Kül Biraz Duman
Era de maggio
Hurt
Pour ne pas vivre seul
Como el agua
Aishuh hatoba
Fallaste corazon
~Encore:~
Lágrima





























Voltar ao início


Fotos: Cátia Santos
Texto: José Reboca
Agradecimentos: MDK Artists
Artista: Mísia
Local: Lux, Lisboa
Data: 18 Dezembro 2010
Site Oficial: www.misia-online.com

0 comentários:

Enviar um comentário