Enquanto os Sofa Surfers preparavam o seu live act em estúdio para promover o recente álbum «Superluminal», lançado em agosto deste ano, tivemos uma breve conversa com Wolfgang Schlögl. Portugal irá receber uma visita da banda austríaca muito em breve.
Achas que os Sofa Surfers tiveram alguma coisa a ver com o conceito de couch surfing?
Provavelmente não. Quando escolhemos o nosso nome, foi com um duplo sentido. Por um lado o prazer que podes tirar de estar a descontrair num sofá. Por outro, havia um sofá gigante no estúdio onde começámos e era possível estar por lá a controlar todos os botões da mesa de mistura. Mas o sofá era também o sítio onde podíamos escutar a música com mais atenção. Ouvir música é também importante para criar nova música. E mais: o sofá é sempre um sítio bom para ficares em casa dos teus amigos.
Como comparas a música que os Sofa Surfers fazem agora com o que faziam há dez anos?
Para nós, o círculo é agora bem mais fechado. Em 1999, trabalhávamos muito mais com eletrónica e em 2005 mudámos de direção. Queríamos ter aquele feeling de banda. Queríamos mostrar que éramos uma banda de verdade. No (álbum) «Superluminal», tentámos seguir por métodos de produção que ainda não tínhamos explorado.
Concordamos com vocês, quando dizem que estamos a ser bombardeados por informação hoje em dia. Como é que isso está a influenciar a maneira como as pessoas se relacionam com a música?
Está a influenciar a nossa vida toda, não só a maneira como ouvimos música. Quando falamos de como a nossa vida mudou, ou da maneira como nos relacionamos com a música agora. Os miúdos têm metade da história do rock nos seus iPods, mas não sabem realmente como é que as coisas aconteceram.
Sobre o novo álbum. É feito a pensar nos vossos fãs ou nos vossos prováveis fãs?
A música que fazemos é o que nos vai no coração. Não pensamos num destinatário concreto, mas queremos que as pessoas se sintam relacionadas com a nossa música e com as experiências que tentamos transmitir.
Em «Superluminal», nota-se o vosso distanciamento da música de dança...
Sim, já o fizemos em 2005. E queremos continuar a mostrar que somos uma banda, que tocamos bateria, baixo e guitarra. Somos uma banda à moda antiga.
Porque decidiram gravar o disco fora dos estúdios convencionais?
Se estiveres numa cidade como Viena, tens sempre um dia-a-dia agitado e começas a precisar de te desligar da realidade para compor e gravar. Decidimos isolar-nos durante dez dias para que nos pudéssemos focar ao máximo, deixando tudo para trás.
Como é que achas que os novos vocalistas influenciaram o som dos Sofa Surfers?
Hum, não sei. Não foi uma grande diferença. Talvez a maneira de cantar do Mani (vocalista que se juntou recentemente aos SS) tenha sido uma coisa bastante boa que nos aconteceu. Ele não nos conhecia nem sabia o que fazíamos. Mas percebeu logo toda a dinâmica do grupo e percebeu qual era o lugar que ocupava. Mas para entendermos essa influência ainda precisamos de deixar passar mais tempo.
Achas que a cena de Viena ainda existe? Ainda é um movimento?
Era como se eu te perguntasse “existe algum movimento associado aos Buraka Som Sistema”? São apenas grandes músicos, mas é provável que não estejam inseridos em algum género de movimento. Tal como nós achamos que não estamos.
Vão passar por Portugal para promover o álbum?
Estamos agora mesmo em estúdio a preparar o nosso live act. Estamos mesmo ansiosos por ir aí tocar e é provável que isso aconteça já no início do próximo ano.
Uma última pergunta. Na cama ou no sofá?
Na cama.
Estava a falar do sítio ideal para o ouvir o vosso novo álbum.
(Risos) Provavelmente diria-te que é um álbum bom para ouvir no carro. Sim, é isso. É um álbum com movimento. Eu gosto no carro.
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Entrevista por: João Marques
Imagem: MySpace Oficial
Banda: Sufa Surfers
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